A importância da Adubação Orgânica

Adubação orgânica seus motivos e porque não usar adubos químicos?

Buscar alternativas para a adubação química é um dos meus objetivos, afinal a idéia é produzir em maior harmonia com a natureza aproveitando o uso de recursos já disponíveis. Isso sempre foi uma certeza que eu tive, porém demorei para entender qual era o real problema da adubação química, além é claro da forma de produção, do extrativismo e desperdício energético para produzir um adubo químico, qual é o problema para o solo? Para o desenvolvimento das plantas parece uma maravilha, plantas que crescem rápido e vigorosamente. Em geral as plantas adubadas com adubo químico absorvem muito bem os macro nutrientes mas em compensação os micro nutrientes não são absorvidos, gerando alimentos que são bonitos, mas que faltam em muitos nutrientes que poderiam ser disponibilizados no mesmo alimento.

No entanto isso ainda é um problema de quem come esse alimentos, mas e o solo?

O princípio para uma boa Agrofloresta, ou uma produção Agroecológica é ter um solo vivo. O solo vivo é o que permite que os nutrientes sejam disponibilizados e reciclados no solo. Isso é o trabalho de milhares de micro organismos, bactérias, fungos e alguns não tão micro assim como as minhocas, tatu bolas, formigas, larvas, aranhas e grilos. Solo vivo é solo fértil! E ai entra um grande problema da adubação química: A morte do solo. Com seus níveis altos de macro nutrientes o adubo químico tende a matar a microvida do solo, cortando o ciclo de fertilização do solo e fazendo com que o solo seja totalmente dependente de insumos externos para ter fertilidade.

Por melhor adubada que for uma roça, com adubo químico a resiliência do  solo é quase zero, e no fim da produção é totalmente necessário uma nova adubação. Essa é a principal diferença da adubação agroecológica, com uma adubação orgânica, tendo em mente a vida no solo, a cada novo ciclo ao invés de ser necessário colocar mais insumos você precisa de menos.

Pensando na vida no solo, e com consórcios adequados a cada rotação a própria poda e adubação verde com matéria orgânica mantém o solo fértil.

Alternativas para adubação Orgânica

Porém o desafio de produzir alimentos com qualidade e gerar um solo fértil existe. E infelizmente costumamos não ter o tempo necessário para lentamente recuperar o solo, assim como a própria natureza faz. Começando com espécies resistentes para formar a placenta inicial, migrando para as pioneiras e inserindo as secundárias e clímax para ocupar e regenerar o local.

Então como saímos de um solo pobre de pasto para uma produção de alimentos sem precisar usar adubos químicos?

Existem algumas alternativas que tenho experimentado com sucesso:

Calcário: 

O Calcário é um adubo mineral, o principal papel dele é o controle do PH. O calcário consegue em um curto espaço de tempo neutralizar o PH do solo, fator importante para absorção de nutrientes pelas plantas.

Pó de Rocha: 

O pó de rocha é um rejeito da mineração, possui diversos micro e macro nutrientes, além do calcário que incorporado ao solo contribui para a neutralização do PH. O Pó de Rocha tem uma grande vantagem que é a permanência no solo, sendo de liberação lenta os minerais continuam a ser disponibilizados no solo mesmo bastante tempo depois da aplicação no local. Em comparação ao Calcário o Pó de Rocha leva essas duas vantagens, liberação mais lenta e disponibilização de outros micro nutrientes.

Cinza Vegetal/de Madeira: 

A cinza de madeira/ Cinza vegetal é um excelente adubo para o solo, pensando de forma prática com o princípio de Lavoisier: “nada se cria tudo se transforma” , ou seja todos os nutrientes e compostos da madeira que não foram transformados em calor e fumaça ficam concentrados na cinza. A cinza também ajuda no controle do PH do solo, em geral disponibiliza ótimos níveis de Potássio, Magnésio, Cálcio e Fósforo. Porém isso irá depender da matéria queimada. É aconselhável que no caso das madeiras queimadas essas sejam livres de tratamentos e tinta, pois podem gerar agentes contaminantes. O problema da cinza é que os nutrientes são rapidamente disponibilizados e absorvidos, não sendo totalmente aproveitados, pois são lavados facilmente com a chuva, sendo assim a cinza disponibiliza bons níveis de nutrientes porém esses não duram no solo. Há estudos que indicam que apenas 2% dos nutrientes da cinza conseguem ser absorvidos.

Substrato de Cogumelo: 

Para quem tem produtores de Cogumelo por perto, é um ótimo complemento, em geral é usado borra de café, fezes de cavalo ou capim triturado adicionado de Super fosfato simples, depois da colheita do cogumelo não é possível a reutilização desse material e isso vira um rejeito, que quando não aproveitado acaba eventualmente até em aterros sanitários. O Capim triturado ou a borra de Café disponibilizam bons níveis de Nitrogênio no solo. O cogumelo não costuma consumir todo o Super fosfato deixando disponível ainda por esse substratos níveis de Fósforo, Enxofre e Cálcio.

Cama de Frango: 

Como o próprio nome já diz, a Cama de Frango é o rejeito das Granjas, composto de palha de arroz ou serragem junto com as fezes da galinha, incrementa o nível de Matéria Orgânica e disponibiliza rapidamente bons níveis de Nitrogênio.

Cobertura de Matéria orgânica: 

Cobrir o solo é uma peça chave para a manutenção da fertilidade do solo. A cobertura do solo age em duas frentes essenciais. A primeira é a manutenção da humidade, com o solo coberto o solo se mantém húmido por muito mais tempo diminuindo a evaporação. Outro fator é a manutenção do PH, o principal fator que acidifica os solos brasileiros é o Alumínio. Com o solo descoberto o sol e o calor direto no solo faz com que o calor funda o Alumínio ao Fósforo acidificando o solo e indisponibilizando o Fósforo para as plantas.  Em geral uma vez controlado o PH do solo se o solo for mantido coberto sem incidência de raios solares diretos esse solo irá manter o PH neutro.

Termofosfato Magnesiano: 

Também conhecido pelo nome do fabricante como Yoorin, o termofosfato é um adubo mineral que disponibiliza bons níveis de Fósforo e micro nutrientes, tem características resilientes no solo, porém é um produto mais caro, e de mineração que passa por alguns processos.

Farinha de Osso: 

A farinha de osso é o que o próprio nome já diz, osso triturado, é uma ótima fonte de Fósforo para o solo, mas o cheiro é ruim e forte.

Torta de Mamona: 

A torta de mamona disponibiliza bons níveis de Nitrogênio e contribui para o aumento de matéria orgânica no solo, também conta com alguns outros micro nutrientes, Potássio e Fósforo em menores quantidades.

Casca de Ovo:

A casca de ovos é bem rica em cálcio que triturada contribui para o solo, porém é difícil conseguir em grandes quantidades.

Borra de Café: 

A borra de café é uma boa alternativa para disponibilizar Nitrogênio, mas esbarra no mesmo problema que a casca de ovo, em pequena quantidade funciona, mas para plantações maiores é difícil obter quantidades significativas.

Nesse vídeo o pesquisador Sérgio Semerdjian explica um pouco sobre a acidez no solo e os benefícios da matéria orgânica para o solo.

 

 

 

 

 

Pedro Savério Penna

Formado em Ecoturismo e com especialização em Marketing e Negócios, gerencia uma empresa de Pesquisa de Mercado. Vive divido entre São Paulo e Piedade no interior, onde desenvolve seu projeto Agroecológico.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *