Agricultura Orgânica ou Convencional: Revolução Verde, precisamos de herbicidas, pesticidas e adubos químicos para alimentar o mundo?

É difícil falar de agricultura convencional sem pensar no seu ponto de partida, a Revolução Verde. Sem entrar em muitos detalhes, mas a Revolução Verde foi o momento de ruptura e o início da Agricultura de larga escala, baseada em sementes modificadas, herbicidas, pesticidas e maquinário especializado.

Os tratores e grandes máquinas surgiram pós Segunda Guerra mundial, assim como as novas tecnologias químicas para combate de insetos e plantas espontâneas.

A Grande Guerra entre homens havia acabado, e a empreitada para uma nova guerra estava só começando, a Guerra contra os Insetos ”pragas” e “plantas daninhas”.

O principal eixo da revolução Verde pregava que com o aumento da escala da produção aliado aos avanços tecnológicos teríamos uma estabilidade alimentar e seria possível acabar com a fome no mundo.

Mais de 60 anos depois é possível ver que esse plano não funcionou muito bem, e junto a ele vieram alguns efeitos colaterais, como a degradação do meio ambiente; erosão e perda de solo fértil; industrialização da alimentação, um dos pontos de partidas para a obesidade e todas as doenças que a acompanham; aumento da Diabetes e Diabetes infantil entre outros de uma lista que continua e a cada dia cresce mais.

Olhando apenas para os efeitos colaterais já é de imediato questionável o sucesso do plano.

O principal argumento da agricultura convencional é que não é economicamente viável produzir organicamente e que a produção orgânica gera perdas de mais de 30% quando comparado a agricultura com uso de pesticidas, herbicidas e todo pacote tecnológico.

Porém em pesquisas recentes não é isso que os dados mostram, em pesquisa pioneira que teve início em 1981, o ➡️Rodale Institute analisou lado a lado plantios convencionais e orgânicos. A análise de 30 anos mostrou cientificamente que o plantio orgânico não só rende igual como a longo prazo rende mais do que o convencional.

Embora nos primeiros anos de adaptação o plantio orgânico rendeu um pouco menos depois dos 3 primeiros anos, onde o solo já estava melhor adaptado o plantio orgânico começou a render mais que o convencional, e mais que isso em anos de seca o plantio orgânico rendeu 31% a mais que o convencional.

Análises de solo também compararam a fixação de carbono e água no solo mostrando que a perda de carbono no solo é muito maior no plantio convencional do que no orgânico, e que a manutenção de humidade no solo e recarga de água disponíveis as plantas, é muito maior no sistema orgânico.

A longo prazo o plantio orgânico é economicamente melhor, ambientalmente muito melhor e rende mais, ou seja, os argumentos da Revolução Verde já foram por água abaixo.

Agora a briga é entre um pacote tecnológico, subsidiado e financiado pelos governos ao redor do mundo, e indícios mais que claros que esse pacote não funciona como o esperado, e que os efeitos colaterais são bastante nocivos e que não estão entrando nessa conta.

Multinacionais financiam e sustentam ainda os mesmos argumentos de 1950 como se essa fosse a solução para a alimentação humana.

O alimento vira uma comodity, e com o afastamento do que estamos comendo somos ludibriados por um melhor relativo e uma alimentação que nem sabemos os nomes dos ingredientes.

Nesse link ➡️FSTbookletFINAL está disponível a cartilha do estudo do Rodale Institute.

 

 

 

Pedro Savério Penna

Formado em Ecoturismo e com especialização em Marketing e Negócios, gerencia uma empresa de Pesquisa de Mercado. Vive divido entre São Paulo e Piedade no interior, onde desenvolve seu projeto Agroecológico.

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