Glifosato! Por que não usar? O caminho mais curto vs o melhor caminho

Me sinto praticamente do campo, apesar de morar em São Paulo durante a semana, sempre passei a melhor parte do meu tempo no interior, sempre em contato com o homem do campo. Lavradores, peões, ferreiros, donos de venda e claro alguns cachaceiros.

O caminho mais rápido, mais moderno e mais fácil é sempre um grande atrativo. Porque não usar um veneninho que em meia hora de pulverização mata o trabalho de 4 horas de enxada?

A modernidade que as grandes industrias vendem chegam rápido nas casas rurais, atrás do balcão tem sempre um agrônomo ou um vendedor com a resposta milagrosa para qualquer problemas. “Pragas”, “mato”?

As grandes industrias químicas já resolveram esse problema para a gente, a solução está ali, engarrafada em um rótulo bonito, e uma bula e um aviso não tão bonito assim.

poison

O custo benefício, a meu ver, é péssimo.

O Glifosato (princípio ativo) é um ícone nesse mercado, normalmente conhecido como Roundup(nome comercial). É um milagre! Mato do lado da estrada? Invasoras na lavoura? É só pulverizar e já era! Num mercado de bilhões, os estudos de efeitos colaterais ficam bem abafados e escondidos. Há diversos estudos que ligam mais de 25 doenças humanas ao uso do Glifosato,  incluíndo má formação de fetos, problemas hormonais entre outros, o efeito residual uma vez aplicado pode durar até 25 anos.

Em estudo recente sobre o câncer a IARC um órgão ligado a OMS- Organização Mundial de Saúde, decidiu rotular o Roundup como possível cancerígeno, na ➡️Lancelot Oncology a resposta da Monsanto fabricante do Roundup veio rápido com a circulação de uma carta se dizendo “ultrajados” pela pesquisa.

Mais detalhes nessa ótima matéria do ➡️Ciência Hoje- aqui.

Agora com os milhões que o Roundup lucra, em quem acreditar? Numa pesquisa independente de um órgão ligado a OMS ou em um estudo financiado pelo próprio fabricante?

Não atos que a Holanda e a França já lideram movimentos banindo herbicidas com Glifosato.

A busca por soluções criativas e alternativas são a solução!

No meu caso dou um exemplo prático. Temos uma rampa de pedras, e as ervas e a grama nasce no meio da rampa, se deixarmos a natureza dominar esse espaço, não tenho dúvida que ela irá fazer um ótimo trabalho, mas ainda queremos nosso espaço compartilhado, e a rampa é uma rampa não um jardim né… Nesse espaço a capina é difícil e pouco efetiva, a resposta mais fácil e rápida seria o Roundup, eu não me arrisco, e a nossa solução foi um maçarico! Nada de queimada… Com fogo localizado queimamos de forma orgânica quem nasceu onde a gente achou que não devia ter nascido. E resolvemos a questão com o caminho do meio, nem Roundup nem enxada. Maçarico, fogo controlado e problema resolvido.

Buscar soluções criativas e um caminho do meio é o nosso desafio! Falar para o homem do campo não optar por uma solução mais prática sem uma alternativa, é muito difícil, e enquanto a briga continua, e as gigantes continuam a insistir que seu produto é seguro temos que buscar alternativas.

Assistimos a indústria do tabaco jurar de pés juntos que o cigarro era seguro, e foi preciso uma boa briga para reverter isso. Agora não vou esperar sentado essa briga acabar, aonde eu puder intervir e evitar vou fazer.

 

 

Pedro Savério Penna

Formado em Ecoturismo e com especialização em Marketing e Negócios, gerencia uma empresa de Pesquisa de Mercado. Vive divido entre São Paulo e Piedade no interior, onde desenvolve seu projeto Agroecológico.

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